Fernanda Mira Barros

Fernanda Mira Barros (Lisboa,1967) cursou língua e literatura inglesa e alemã na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É editora dos Livros Cotovia, pequena editora lisboeta de catálogo quase imaculado. É amante de livros, animais e outros seres belos. Ex-tímida, seu lema é: Nunca se sabe.

Recomendado

Diários de periodicidade incerta

2017-07-24
Crônicas de Lisboa
  Domingo Recolhiam as esteiras da venda de melões de beira de estrada os dois ciganos. Mais perto da rotunda instalava-se já a prostituta, a saia mui ...

Propósitos de despropósitos

2017-03-31
Crônicas de Lisboa
Gosto tanto de certas palavras que gosto mais de certas palavras do que de certas pessoas, que gosto mais de certas palavras do que de certas paisagens. Fiacre, por exemplo. M ...

Não recordo o frio

2017-02-15
Crônicas de Lisboa
Mosteiro zen, Colorado, fim de 2016 Não recordo o frio, recordo a neve, que é, por definição, bem mais que fria. Fria é, ou está, ...

Coelhos na neve

2016-12-29
Crônicas de Lisboa
A quem tem agasalhos o estado do tempo importa muito menos. Entendamos a casa como agasalho. Pode também ser nudez e pode ser amena, pode ser violenta, mansa, ou fortificada ...

Não há celulite no Hotel Renaissance

2016-12-22
Crônicas de Lisboa
A caminho de casa, despedi-me da cidade ia fria a noite. O frio não desagradava. Um cartucho de castanhas mal assadas queimando as mãos apressou o meu trote pela ...

King size

2016-12-01
Crônicas de Lisboa
Uma friagem no ombro destapado e acordo. Sei que choveu toda a noite, que cheguei tarde ao quarto e cansada de dançaricar; que vim sem frio embora esteja frio, que trazia a ...

Não sei como se faz

2016-11-24
Crônicas de Lisboa
Agora, que vou completar cinquenta anos, decidi amar-me.Ainda não estou certa de ter decidido amar-me já. Certo é ter estado essa decisão distante quando calcei estes sapato ...

A nódoa

2016-11-15
Crônicas de Lisboa
Tinha-me maquilhado para aparentar as boas cores que só as sovas do mar de Setembro me restituem, tinha vestido um vestido comprido, em mim usual, só que era o mais b ...

Morre-se sempre

2016-11-02
Crônicas de Lisboa
“Finou-se, coitadinho.” Longínquos tempos em que este verbo, digno como qualquer, se ouvia ou lia. Porém, que fealdade existe nele maior que a que enforma um hediondo “falec ...

Os loucos

2016-10-25
Crônicas de Lisboa
Se no centro da cidade ainda há asilos para doidos, então no centro da cidade há doidos residentes em asilos. E esses doidos, sendo inofensivos, saem do entremuros vigiado. ...

O espanto pueril

2016-10-20
Crônicas de Lisboa
“Mãe, esta senhora tem olhos azuis. Azuis, mãe! Olhe, mãe, azuuuuis!” -- e apontava, indicador espetadíssimo acusando-me, o miúdo frente a mim no autocarro. A mão livre puxa ...

Aquele mar do fim das férias

2016-10-13
Crônicas de Lisboa
Lisboa não é bem uma cidade fluvial ainda que seja banhada por um rio. O Tejo entra no mar aqui sem que saibamos claramente  onde começa um, acaba o outro. Não que iss ...

Ante-crônica

2016-10-05
Crônicas de Lisboa
Da minha janela vejo a Praça, pequena praça sem saída, e o edificado urbano alongando-se no horizonte até à outra margem do Tejo. Depois, o céu. Copas de árvores entretanto, ...
Desenvolvido por:
© Copyright 2017 REVISTAPESSOA.COM