Imagem O-Mulato.jpg

O mulato



2014-08-07

É mais fácil acreditar na bile secretada pelo escritor contra a “terrinha da intriga miúda” do que no amor cada vez maior de seu protagonista por Ana Rosa. Em O mulato (1881), Aluísio Azevedo era quase um estreante na ficção – publicara dois anos antes o folhetim Uma lágrima de mulher – e, como tal, tinha ainda dificuldades para construir suas personagens. Mas já revelava mestria no desenho irônico de tipos sociais, aprendido na leitura de Eça de Queirós.

A caracterização do amor de Raimundo pela prima é o ponto fraco do romance, tido como marco inicial do Naturalismo brasileiro. A escola naturalista exigia uma crença robusta no determinismo racial e biológico, ao passo que o autor ainda não se desvencilhara do sentimentalismo romântico. Disso resulta que O mulato seja no máximo uma obra de transição para o Realismo, que no mesmo ano aparecia no Brasil, em versão muito mais bem acabada, com as Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Claro, o grande talento de Aluísio, consolidado mais tarde...
Continuar lendo

AINDA NÃO TEM PLANO? SELECIONE:

MICROPAGAMENTO

R$0,99

APENAS ESTE ARTIGO

  1. Você pode acessar apenas o artigo que pretender ler. Faça um micropagamento para baixa-lo. É facil.

  2. A compra avulsa de um artigo não dá acesso ao conteúdo integral da revista.

ASSINATURA

DESDE R$12,90

PARA TODO O CONTEÚDO DA REVISTA



  1. - Prioridade na participação de eventos organizados
  2. - Descontos em títulos lançados pela Pessoa
  3. - Envio de newsletter com os destaques da edição

MICROPAGAMENTO

R$0,99

APENAS ESTE ARTIGO

  1. Você pode acessar apenas o artigo que pretender ler. Faça um micropagamento para baixa-lo. É facil.

  2. A compra avulsa de um artigo não dá acesso ao conteúdo integral da revista.

ASSINATURA

DESDE R$12,90

PARA TODO O CONTEÚDO DA REVISTA





  1. - Prioridade na participação de eventos organizados
  2. - Descontos em títulos lançados pela Pessoa
  3. - Envio de newsletter com os destaques da edição
  1. As assinaturas e os micropagamentos são necessários para manter a Revista Pessoa

  2. Precisa de ajuda ou mais informação?
  3. Entre em contato:
  4. revistapessoa@revistapessoa.com


Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




Artigos Relacionados


Memórias da rua do Ouvidor

  Seja uma excessiva licença chamar romance às Memórias da Rua do Ouvidor (1878), de Joaquim Manuel de Macedo: h&aac ...

O grande mentecapto

  Fernando Sabino arriscou-se a escrever um segundo romance mais de duas décadas depois de ter publicado O encontro marcado (1956) ...

Livro de uma sogra

  Obra tardia de uma inventiva ficcional esgotada, o Livro de uma sogra desmente, de saída, as notáveis qualidades de narra ...
Desenvolvido por:
© Copyright 2018 REVISTAPESSOA.COM