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O mulato



2014-08-07

É mais fácil acreditar na bile secretada pelo escritor contra a “terrinha da intriga miúda” do que no amor cada vez maior de seu protagonista por Ana Rosa. Em O mulato (1881), Aluísio Azevedo era quase um estreante na ficção – publicara dois anos antes o folhetim Uma lágrima de mulher – e, como tal, tinha ainda dificuldades para construir suas personagens. Mas já revelava mestria no desenho irônico de tipos sociais, aprendido na leitura de Eça de Queirós.

A caracterização do amor de Raimundo pela prima é o ponto fraco do romance, tido como marco inicial do Naturalismo brasileiro. A escola naturalista exigia uma crença robusta no determinismo racial e biológico, ao passo que o autor ainda não se desvencilhara do sentimentalismo romântico. Disso resulta que O mulato seja no máximo uma obra de transição para o Realismo, que no mesmo ano aparecia no Brasil, em versão muito mais bem acabada, com as Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado...

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