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Doramundo



2014-09-20

Doramundo (1959) é daqueles livros que você insiste em ler até o final, na esperança de que se justifique por um grand finale. É que sua escrita flerta com o registro poético e alguns críticos de peso o elogiaram – caso de Adolfo Casais Monteiro, para quem o livro de Geraldo Ferraz (1905-1979) era um “romance lírico”, e de João Alexandre Barbosa, que o considerou um “elo perdido” com a tradição moderna. Mas infelizmente a redenção tardia não ocorre, e o último capítulo, do qual sai o título da obra, apenas confirma a impressão de produto artificioso, cuja linguagem bem acabada não se ajusta a um projeto narrativo capaz de justificar-se enquanto tal.

O autor foi um importante intelectual do Modernismo, secretário da Revista de Antropofagia de Oswald de Andrade. Sua intimidade com a poesia e os conceitos da vanguarda propiciavam-lhe, em teoria, condições para gestar e elaborar um romance criativo. Criativo, aliás, pode ser que ele seja; só não é...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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