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Memorial de Aires



2015-04-24

Como o narrador de seu último romance, Machado de Assis, viúvo e desenganado da própria saúde, talvez estivesse a olhar “para longe, para onde se perde a vida presente, e tudo se esvai depressa”. Com razão se diz que Memorial de Aires (1908), publicado no mesmo ano da morte do escritor, é uma espécie de testamento em que a tinta da melancolia não mais desce ao papel por meio da “pena da galhofa” de que Brás Cubas fizera a propaganda. “Já não sou deste mundo”, diz o conselheiro Aires sem qualquer sombra de escárnio.

A melancolia da velhice divide o primeiro plano com o encanto da viúva Fidélia. Aires, diplomata aposentado que já fizera o relato das vidas opostas de Pedro e Paulo em Esaú e Jacó, dá-nos conta do primeiro encontro com a bela “viúva Noronha” já na terceira entrada de seu diário, datando de 10 de janeiro de 1888.

Vista no cemitério, Fidélia ganhará adjetivos como “deliciosa” e afins. A...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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