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Louca por quê?

Foto: Maria Valéria Rezende. Companhia da Letras. Divulgação



2021-08-01

Escrever foi a um só tempo a danação e a salvação da protagonista. Ordenar pensamentos em palavras e escrevê-las no papel foi o recurso usado por ela para manter a sanidade nos momentos em que se encontrava detida. Escrever garantiu também sua subsistência, oferecendo-se como escrivã de cartas e contratos, testamentos e petições. Para isso, ela precisou produzir a própria tinta, a pena e arrumar folhas de papel, três bens escassos à época. Por escrever sem a autorização de Portugal, sofreu castigos e punições, inclusive por reproduzir e vender poemas.

                                                                            

O livro Carta à rainha louca, de Maria Valéria Rezende, mostra a insanidade do Brasil Colônia e a lucidez da protagonista que, num contexto social que inverte posições de maneira perversa, acaba sendo enclausurada e acusada de louca. A narradora, que é também protagonista, revestida de uma enorme acuidade sobre si e o mundo à sua volta, apresenta ao leitor sua história de vida e o induz à pergunta: por que essa mulher foi considerada louca? Quais são as instituições, os dispositivos, os recursos legais, as crenças e os costumes da época que possibilitaram sua clausura? O desfecho dessa história...

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Ana Cristina Braga Martes

É socióloga e foi professora da Fundação Getulio Vargas até 2019, de onde saiu para se dedicar integralmente à literatura. Nascida em Varginha (MG), passou sua infância e juventude de São Carlos (SP), formou-se em Ciências Sociais pela UNESP/Araraquara, fez mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo (USP) com bolsa sanduíche no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Foi Pesquisadora Visitante na Universidade de Boston (BU) e fez pós-doutorado na Universidade de Londres (King’s College). Publicou e organizou diversos artigos e livros acadêmicos. A origem da água é seu primeiro livro de ficção. 




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