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A carteira do meu tio



2015-06-08

Os modelos eram o Quixote e as Viagens de Gulliver. Joaquim Manuel de Macedo parece ter começado a escrever A carteira do meu tio (1855) tendo em vista as novelas satíricas de Cervantes e Swift. Em ambas, o protagonista empreende viagens ao longo das quais encontra situações e personagens que o fazem refletir sobre a condição humana.

Mas o impulso inicial não foi seguido por um planejamento do romance, que, aliás, tem baixa porcentagem de ficção. Se é verdade que ele prenuncia elementos do melhor Machado de Assis – sobretudo, a crítica da ideologia que formava a medula das instituições do Segundo Império –, seus elementos propriamente literários deixam bastante a desejar. Muito atual para quem queira entender os males da sociedade brasileira, especialmente o varejo e as varejeiras da política, o livro dificilmente agradará ao leitor interessado apenas em uma história bem contada.

O narrador, que será o mesmo das Memórias do sobrinho do meu tio (1868), acha bastante nomear-se apenas...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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