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escrever desde o Sul. 8



2021-05-03

os espectros vivem nas fronteiras

 

nunca conheci o meu avô paterno.

Sebastiao Kiffer, o Coca.

meu pai, que cada vez mais vem se lembrando da sua infância, e esquecendo de todo o resto, fala muito dele, e de sua mãe, Luzia Abido Kiffer. como se nutrisse em seus sonhos permanentes e vigorosos um gesto capaz de ninar o seu corpo velho e alquebrado.

esforço-me para lembrar junto dele, e mesmo do que nunca soube. aliás só lembramos porque outros lembraram, porque uma comunidade lembra.

escrevo como quem nina. volto aos gestos mínimos e primordiais. porque ele está velho, porque estamos sofrendo, muitos estão morrendo. ainda jovens, o tempo encurta...

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Ana Kiffer

É Professora da Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, Cientista do Estado pela FAPERJ e Bolsista de Produtividade no CNPq. Curadora convidada da Bienal de SP 2021. É escritora, autora dos livros Tiráspola e Desaparecimentos, Editora Garupa, 2016, A punhalada, 7Letras, 2016, Todo Mar, Urutau, 2018; colunista da Revista Literária Pessoa, pesquisadora da obra do escritor francês Antonin Artaud, vem desenvolvendo há muitos anos uma investigação sobre os diversos modos de relação entre os corpos e a escrita. Autora do livro Antonin Artaud, EDUERJ, 2016, e com Gabriel Giorgi, Ódios Políticos e Politica do Ódio, RJ: Bazar do Tempo, 2019 e Las Vueltas del ódio, BA: Eterna Cadência, 2020. Organizadora do livro A Perda de Si – cartas de A. Artaud, Rocco, 2017; e das coletâneas: Sobre o Corpo, 7Letras, 2016, Expansões Contemporâneas: literatura e outras formas, com Florência Garramuno, UFMG, 2014, entre outros artigos e ensaios.  Foi curadora, em 2020, da exposição Corte/Relação dos cadernos de Antonin Artaud e de Édouard Glissant. Para a 34ª Bienal de São Paulo. Em 2021, estreou seu primeiro romance O Canto Dela, pela editora Patuá. Fotografada por Dani Neves.




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