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escrever desde o Sul. 6

Foto: Yves Klein: Grande Anthropophagie bleue, Hommage à Tennessee Williams



2021-02-22

essa atrocidade que alimenta ainda hoje o desejo inescrupuloso de quem vê esse país como um horizonte de realização do tudo pode – dos desejos mais recônditos aos abusos mais visíveis. essa falta de limites, de limites, de limites. como se sua extensão territorial imensa nos fizesse perder de vista tudo, incluso quem somos e, sobretudo, até onde podemos ir. quem somos? como país, quem somos? quem somos como país?

 

escrever desde o Sul é escrever com os mortos.

que nos ensinam o respeito aos nossos ancestrais. se dependesse apenas de nós, brancos, continuaríamos devassando até a vida do morto. e repetiríamos,

sem honra, o seu nome, como se nada tivesse ocorrido, fingindo que lembrar é apenas e só essa festa pálida das fotos velhas, despregadas dos afetos, desbotadas dos micros gestos

que herdamos

de nossas próprias ancestralidades. uma perna dobrada sobre a outra, como que sentada, ao dormir. um piscar leve com o olho esquerdo. uma gargalhada, num timbre que não é o da tua voz. um jeito de andar, quando se esquece...

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Ana Kiffer

É Professora da Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, Cientista do Estado pela FAPERJ e Bolsista de Produtividade no CNPq. Curadora convidada da Bienal de SP 2021. É escritora, autora dos livros Tiráspola e Desaparecimentos, Editora Garupa, 2016, A punhalada, 7Letras, 2016, Todo Mar, Urutau, 2018; colunista da Revista Literária Pessoa, pesquisadora da obra do escritor francês Antonin Artaud, vem desenvolvendo há muitos anos uma investigação sobre os diversos modos de relação entre os corpos e a escrita. Autora do livro Antonin Artaud, EDUERJ, 2016, e com Gabriel Giorgi, Ódios Políticos e Politica do Ódio, RJ: Bazar do Tempo, 2019 e Las Vueltas del ódio, BA: Eterna Cadência, 2020. Organizadora do livro A Perda de Si – cartas de A. Artaud, Rocco, 2017; e das coletâneas: Sobre o Corpo, 7Letras, 2016, Expansões Contemporâneas: literatura e outras formas, com Florência Garramuno, UFMG, 2014, entre outros artigos e ensaios.  Foi curadora, em 2020, da exposição Corte/Relação dos cadernos de Antonin Artaud e de Édouard Glissant. Para a 34ª Bienal de São Paulo. Em 2021, estreou seu primeiro romance O Canto Dela, pela editora Patuá. Fotografada por Dani Neves.




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