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Os rastros de Elvira Vigna

Foto: Palimpsesto de Arquimedes. Reprodução



2021-02-16

 Uma vez que nada mais é feito para durar - nem as relações sociais, como é possível cultivar reciprocidade, solidariedade, ou compromissos mútuos?  E, caso nada disso mais seja possível, qual é o redesenho social e seu impacto na vida das pessoas? As pessoas se sentem à deriva, incapazes de produzir uma narrativa sobre suas vidas que seja coesa, congruente, que faça sentido para si e para os outros.

 

João tem um emprego mais ou menos e vive mais ou menos com a mulher com quem é casado. Mais ou menos nesse caso significa dentro da média, mediano, medíocre como João. Mas, João quer transgredir, só rompe o tédio transgredindo. Essa é sua convicção intima, talvez a única que ele tenha, já que tem pouca intimidade com ele mesmo. João só se autorrealiza como transgressor transando com garotas de programa (GP). É nessa hora que ele se sente um ponto fora da curva, “fodão”, poderoso mesmo. O que João não percebe é que esse tipo de “transgressão” é o equivalente...

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Ana Cristina Braga Martes

É socióloga e foi professora da Fundação Getulio Vargas até 2019, de onde saiu para se dedicar integralmente à literatura. Nascida em Varginha (MG), passou sua infância e juventude de São Carlos (SP), formou-se em Ciências Sociais pela UNESP/Araraquara, fez mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo (USP) com bolsa sanduíche no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Foi Pesquisadora Visitante na Universidade de Boston (BU) e fez pós-doutorado na Universidade de Londres (King’s College). Publicou e organizou diversos artigos e livros acadêmicos. A origem da água é seu primeiro livro de ficção. 




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