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ele estava ofegante diante da porta da vida

Foto: cemitério. Por Josh Withers



2020-04-27

eles vão morrer, penso. e já aí paro, a frase que leio todos os dias desaba, deságua tudo no escandaloso rio do tempo, agora penso nos corpos amontoados, de fato é só, no fundo, ao lado do ruído no fundo do crânio, é só no que penso.

 

Aviso: essas são as suas reflexões. não confundam com as minhas, que ainda hoje não consegui escrevê-las.

tudo parece supérfluo

a cabeça permanece todo o tempo zonza – como se um ruído constante perfurasse branda e continuamente o fundo do crânio

o fluxo das ideias não é nem acelerado nem lento, o processo é um pouco diferente : elas não chegam a se firmar, nada cria encontro – confinaram-se talvez, as palavras vivem absortas e separadas umas das outras, impedindo o surgimento de algo que se considera ideia – fico assim ofegante diante da porta da vida, essa frase de Artaud assumindo hoje...

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Ana Kiffer

É Professora da Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, Cientista do Estado pela FAPERJ e Bolsista de Produtividade no CNPq. Curadora convidada da Bienal de SP 2021. É escritora, com livros como Tiráspola e Desaparecimentos, Editora Garupa, 2016, A punhalada, 7Letras, 2016, Todo Mar, Urutau, 2018; colunista da Revista Literária Pessoa, pesquisadora da obra do escritor francês Antonin Artaud, vem desenvolvendo há muitos anos uma investigação sobre os diversos modos de relação entre os corpos e a escrita. Autora do livro Antonin Artaud, EDUERJ, 2016, e com Gabriel Giorgi Ódios Políticos e Politica do Ódio, RJ: Bazar do Tempo, 2019 e Las Vueltas del ódio, BA: Eterna Cadência, 2020. Organizadora do livro A Perda de Si – cartas de A. Artaud, Rocco, 2017; e das coletâneas Sobre o Corpo 7Letras, 2016, Expansões Contemporâneasliteratura e outras formas, com Florência Garramuno, UFMG, 2014, entre outros artigos e ensaios.  Fotografada por Dani Neves.




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