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A cavalo

Foto: Aaron Burden



2019-11-19

 

Para Lara, aprendiz

 

A língua tem pontas e com elas dá laços, que servem também pra armar cama de gato, quando pode acontecer a língua bicho. Guimarães Rosa falou da língua onça, o verbo iauaretê. Câmara Cascudo recolheu as línguas totens do Brasil: veado, onça, macaco, tatu. Opa, jabuti ficou de fora. Pra dentro da viola do urubu, jabuti! Lygia Bojunga registrou a língua cegonha, de carregar criança pra terra da inquietação. De minha parte, às vezes me ocupo da língua cavalo, que acontece principalmente quando se está a aprender uma língua, nossa ou estrangeira.

Do aprendizado da língua materna...

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Nilma Lacerda

Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. Autora de Manual de Tapeçaria, Sortes de Villamor, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, Estrela de rabo e mais histórias, Iberê Camargo: um homem valente, é também tradutora e escreve ensaios e artigos científicos. Recebeu vários prêmios por sua obra, dentre os quais o Jabuti, o Prêmio Rio, o Prêmio Brasília de Literatura Infantojuvenil, além das distinções White Ravens, da Biblioteca Internacional de Munich para a Juventude  e Lista de Honra do International Books for Young People. Professora aposentada da Universidade Federal Fluminense, mantém na Revista Pessoa a Coluna Ladrilhos, com crônicas de talhe variado, em perspectiva lusófona.




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