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O Brasil na fogueira

Foto: Museu Nacional do Rio de Janeiro em chamas. Agência Brasil



2018-09-03

Tudo isso é para constatar que o incêndio do Museu Nacional não foi uma fatalidade, um acidente de percurso como os que podem ocorrer em qualquer lugar, a qualquer hora. Foi sina e destino. A consequência inevitável de um desleixo que não data de hoje mas que atingiu patamares insuportáveis nos últimos dois anos.

 

A destruição do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, é uma perda de proporções incalculáveis. O amplo destaque dado ao fato pela imprensa mundial talvez surpreenda muita gente, Brasil afora. Imagino um dentista em Maceió, uma dona-de-casa em Ribeirão Preto, um funcionário público em Brasília, uma taxista em Belém, um juiz em Curitiba vendo as imagens na televisão e pensando com seus botões: “poxa, nem sabia que esse museu era tão importante”. Pois, fiquem sabendo que era. Era de um valor que não dá nem para começar a dimensionar sem o devido preparo. Qualquer pessoa que fez uma faculdade de Museologia, uma pós-graduação em Antropologia, um doutorado em História, ou outro curso assemelhado, terá condição de explicar o tamanho da catástrofe. Está naquela rara categoria de acontecimentos que, mesmo sem provocar nenhuma morte, equivale a uma tragédia para a humanidade. Em coisa de duas horas, deixaram de existir para sempre milhões de artefatos insubstituíveis e um legado de...

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Rafael Cardoso

É escritor e historiador da arte, PhD pelo Courtaud Institute of Art (Londres). É autor de numerosos livros sobre história da arte e do design brasileiros e também quatro livros de ficção, assim como roteiros de cinema e tevê. Colabora com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Instituto de Artes) e a Freie Universität Berlin (Lateinamerika Institut) como pesquisador associado. Atua ainda como curador independente. Fotografado por Patricia Breves.

 




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