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Hospício é Deus



2018-07-02

Louca por excesso de lucidez, escritora romanceou sua vida no manicômio

 

Há consensos elementares dos quais o louco não logra participar. Nem ele nem os escritores que penetram de fato no absurdo da condição humana. Daí aquela coincidência entre a loucura e a literatura, tão bem formulada por Soshana Felman: ambas são, no limite, “irredutíveis à interpretação”. Mas é bom lembrar que não existe a total irredutibilidade, pelo menos depois que se desenvolveu o instrumental psicanalítico de interpretação. E aqui temos um pasto farto para a Psicanálise, como para leitores (ainda os há) atraídos por vertigens e abismos.

Hospício é Deus (1965), diário escrito por Maura Lopes Cançado (1930-1993) num hospício carioca,...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Teoria e História Literária pela Unicamp em 2004. Publicou Questões abertas sobre ‘O alienista” (2020), Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1998), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012), Homo hereticus (2013), Deuses em desuso (2016), O teu que é mais azul (2019), O amor é um assunto imbecil (2020) e Por que não vou a Sodoma (2022). Foi resenhista de O Estado de São PauloJornal da Tarde e O Globo. Em literatura infantil, publicou Parque de impressões – Anna sofia e a poesia sem querer (2010), O casamento da bruxa com Papai Noel e Poemas em olhês e orelhês (ambos em 2019). No site da revista Pessoa, escreve resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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