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Em seu último livro, João Barrento apresenta vários aspectos da figura de um prodigioso Goethe

João Barrento. Por Bruno simão



2018-06-01

 

Se Barrento nos dá a ver o lado profundamente narcísico da sua personalidade (num auto-retrato, Goethe afirma nunca ter conhecido um homem mais presunçoso do que ele próprio) que tantas vezes desagradou aos seus contemporâneos, todavia traça dele um retrato justo e grandioso, mostrando-o como uma personagem central e inigualável no seu tempo, cuja herança se inscreveu no pensamento e na literatura europeias, atraindo artistas, romancistas e poetas de todos os países, que o procuravam em Weimar.

 

Qualquer aproximação a um génio multiforme como Goethe é uma tarefa de risco. Não poderíamos classificá-lo senão como um dos grandes clássicos da civilização europeia, numa linha definida pelos grandes mestres como Sófocles, Homero, Dante, Shakespeare ou Camões. Se a sua obra confunde o cânone na sua época, tal acontece pela sua universalidade e complexidade, tendo encontrado na dispersão um modo único para apresentar o espírito do seu tempo. Demasiado vasta para se concentrar numa produção única e clássica, ela configura em si a imaginação poética de um homem onde se cruzam a pluralidade de valores e uma ambiguidade de posições, definindo-lhe, deste modo, um universalismo a que não lhe eram alheios a contradição e a polémica. Mais importante do que a história de Goethe (do homem) é a história da sua recepção, bem como o modo como a terá preparado, numa fase avançada da sua vida.

João Barrento não pretende estabelecer em Goethe - O Eterno Amador, livro recém-lançado em Portugal, um estudo académico sobre a sua recepção, mas move-se com...

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Maria João Cantinho

É professora, ensaísta, poeta e crítica. Doutorada em Filosofia, colabora regularmente em várias revistas acadêmicas e literárias, publicou várias obras de ficção, ensaio e de poesia. É editora da revista digital Caliban. Venceu este ano o Prêmio Glória Sant'anna, pela sua última obra de Poesia, Do Ínfimo. Com um livro de ficção no prelo, "Os filhos de Saturno" (Deriva editora). É membro da direcção do PEN Clube Português, da APE (Associação Portuguesa de Escritores) e da APCL (Associação Portuguesa de Críticos Literários). É investigadora do CFUL (faculdade de Letras) e do Collège d'Études Juives da Universidade da Sorbonne.




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