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Sonhos D'Ouro

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2018-05-08

Parcialmente realista, romance poderia ter sido um dos melhores de Alencar

 

A heroína Guida Soares, imersa em sua frivolidade de menina mimada e riquíssima, recusa o Romantismo por quimérico. Talvez seja o que permite ao narrador de Sonhos d’Ouro (1872) escapar, em grande parte do livro, aos cacoetes sentimentaloides que assolavam a ficção de Alencar. Como resultado, esse romance que o autor escreveu no fim da vida contém importantes ingredientes realistas que permitem, mais que em qualquer outro, achar lições que foram de muito proveito para o jovem Machado de Assis.

Vejam-se, a propósito, estas expressões pouco encontradiças em Alencar, as quais nos acostumamos a apelidar de machadianas: a definição do pai de Guida como “homem feito milhão” e o “jogo matrimonial” em torno da moça. Que o tema seja surrado conta pouco; o tratamento dado a ele foi, em certa medida, original. Sobretudo, o estilo pontilhado de ironias torna a escrita alencariana quase irreconhecível em certas passagens.

Quase digna de um Eça é a caricatura do puxa-saco (ou “obsequiador” impenitente) Benício, servil por temperamento e vocação. Tipos engraçados são, ainda, a professora...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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