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Claro-escuro em carvão :: capim de Guilherme Gontijo Flores

Foto de Guilherme Gontijo Flores. Divulgação



2018-04-21

 

Uma tal reflexão não é alheia à obra de Gontijo, e é por isso que daí esta recensão avança. O que unifica o seu trabalho como poeta, tradutor e editor é mesmo o de recolha do atual onde quer que se encontre – mas isto resolve pouca coisa ou nada. Importa uma outra questão: de que forma uma tal recolha se elabora, e que forma também essa reunião desenha e nos devolve, como imagem. Não é uma geometria qualquer, nem nos livros anteriores, nem em carvão :: capim (lançado em 2017 pela editora Artefacto; a ser lançado no Brasil ainda este ano pela editora 34), uma vez que ela nasce do amontoamento de corpos.

 

Tornou-se usual referir-se ao “contemporâneo” como insígnia distintiva de boa poesia, seja pelo encontro estético da composição com o atual estágio das forças de produção literária (quando se diz, por exemplo, que determinada escrita “é ainda muito moderna”, tem-se em mente certa linha evolutiva dessas forças), seja pela capacidade de sintonização com questões políticas urgentes (é o caso de quando se diz, por exemplo, que determinada escrita é “atravessada por um novo regime de organização dos corpos”, supostamente paralelo ao “nosso”, “exterior” à própria escrita). Um terceiro semblante dessa insígnia vislumbra ainda, em alguma poesia, a possibilidade de encontro dos fatores estéticos e políticos contemporâneos, ou, por vezes, “contracontemporâneos”, isto é, a contrapelo do contemporâneo (a medida temporal qualitativa dos poemas, no entanto, está aí dada, seja pelo alisamento dos pelos, seja pelo escovão a desgrenhá-los), que, de todo modo, prestariam contas com o tempo que lhes foi legado.

E talvez a poesia de Guilherme Gontijo Flores esteja mesmo fadada a...

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Rafael Zacca

Rafael Zacca é poeta e crítico. É co-articulador da Oficina Experimental de Poesia, no Rio de Janeiro. Doutorando em Filosofia na PUC-Rio, onde pesquisa a obra de Walter Benjamin. Colaborador do do Jornal Rascunho e da revista Escamandro. Autor de Kraft | Poemas (2015), Mini Marx (2017), Mega Mao (2018) e de A estreita artéria das coisas (no prelo). É um dos autores do livro de oficinas literárias Almanaque Rebolado, escrito a 20 mãos (2017).




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