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Caminhos cruzados

Porto Alegre



2018-02-05

Verissimo usou melhor que seu mestre a técnica do contraponto

 

Terceiro romance de Erico Verissimo, Caminhos cruzados (1935) já contém todos os ingredientes da técnica narrativa que faria dele o escritor brasileiro mais feliz na síntese entre as principais qualidades da boa ficção: profundidade e legibilidade. O livro realiza com mestria aquele tipo de corte transversal que, reduzindo as pretensões absolutistas a que chegaram certos autores do século XIX, oferece ao leitor não a totalidade, mas uma visão sintética dos homens e da sociedade.

O enredo de Caminhos cruzados se resume a cinco dias de uma semana em Porto Alegre, então com cerca de 200 mil habitantes. Nessas coordenadas, movimentam-se uns poucos núcleos de personagens grandemente representativas da condição humana em uma cidade brasileira nos anos 1930. Sobressaem, como notas mais fortes, as personagens que são alvo da sátira social e/ou da análise psicológica.

Teotônio Leitão Leiria e Dodó, por exemplo. Ele é a caricatura perfeita da hipocrisia burguesa; ela, a contraparte papa-hóstia dessa hipocrisia – a caridade de fachada, no fundo mais interessada nos dividendos sociais do papel que representa. No...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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