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Clarice

Clarice Lispector - foto: Maureen Bisilliat - Acervo do IMS



2017-09-20

"Com a Clarice, o grande desafio para qualquer tradutor é deixá-la em paz e resistir à tentação de arrumar coisinhas que soam um pouco estranhas, por medo de que o leitor atribua o estranhamento à incompetência do tradutor. Mas tudo deve partir de uma análise rigorosa do livro em português. O estranhamento inerente à prosa da Clarice Lispector é, a meu ver, nada gratuito: seu uso peculiar da língua resulta das ideias complexas que quer exprimir. Por não existirem formulações prontas para suas ideias, a língua é obrigada a se desdobrar de maneira inusitada para dar conta delas."

 

Muito se fala sobre abordagens “domesticadoras” ou “estrangeirizantes” na tradução literária. Alguns teóricos (Bensimon e Berman, 1990) sustentam que primeiras traduções tendem a ser mais domesticadoras do que as que vêm depois, porque apresentam a obra a um público estrangeiro, supostamente ignorante da cultura do texto original. Segundas traduções teriam mais liberdade para ser estrangeirizantes, mostrando as feições originais do texto para o leitor. Lawrence Venuti (2008), por sua vez, argumenta que tais escolhas são ideológicas e que a estrangeirização é a mais ética, pois o apagamento de dados culturais numa abordagem domesticadora seria uma espécie de violência etnocêntrica.

Concordo com o Venuti em grande parte do que diz, embora eu não acredite que uma tradução precisa ser rigorosamente estrangeirizante ou domesticadora, ou que tais estratégias sejam contraditórias e incompatíveis. Ambas tem o seu lugar, penso eu, às vezes até na mesma tradução. Eu jamais traduziria, por exemplo, o nome próprio de um personagem (ex. João = John), como faziam antigamente, porque acredito que o leitor precisa lembrar do lugar onde...

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Alison Entrekin

Alison Entrekin é tradutora literária australiana radicada no Brasil. Verteu para o inglês Cidade de Deus, do Paulo Lins, O filho eterno, do Cristovão Tezza, Perto do coração selvagem, da Clarice Lispector e Budapeste, do Chico Buarque, entre outros. Trabalha atualmente na tradução de Grande SertãoVeredas, de Guimarães Rosa, com patrocínio do Itau Cultural.




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