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O Homem



2017-05-31

Em diálogo com o que seria a Psicanálise, autor analisa caso de histeria

 

Poderão os psiquiatras, e talvez ainda mais os psicanalistas, torcer o nariz para o grau de proficiência clínica do narrador de O homem (1887). Com mais certeza, leitores exigentes acharão de mau gosto imagens como “pérolas da boca” e “deliciosa prostração do coma venéreo”. Mesmo assim, o romance de Aluísio Azevedo tem qualidades que faltam à maioria das obras representativas do que no Brasil passou por ficção naturalista.

Os três primeiros capítulos desanimam. A julgar por eles, espera-se mais um dramalhão romântico de amor proibido entre irmãos. O estilo, arrastado e prolixo, acompanha esse surrado enredo. Felizmente o grande estorvo se vai: Fernando parte para a Europa, de onde um dia chegará a notícia de sua morte, por sinal muito pouco pranteada pelos parentes.

Então é que começa o estudo de caso, verdadeiro motivo do romance que, já no seu pórtico, traz a advertência do autor rogando que não o leiam os espíritos despreparados para a “verdade da arte”, cuja versão mais avançada seria o Naturalismo.

Madalena, ou simplesmente Madá, era uma moça...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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