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Tornar-se mulher

Reprodução. Anthropométrie de l'époque bleue (ANT 82), 1960, Yves Klein



2017-05-02

- o tornar-se mulher e o devir escrita ou o tornar-se escritora e o devir mulher -

parte I

[...] esses momentos de silêncio
não podem ser, não podem existir
senão quando houve antes a palavra.

Duras

 

 

No Brasil de hoje está difícil e doloroso o processo de entrada da voz da mulher. Sei que tudo aqui está difícil. Mas agora é começar a dizer isso ou não dizer nada. Naufragando no silêncio. Desse lado de cá. Cantos do silêncio. Onde nem sempre houve o antes. O acontecimento da palavra.

Não há mais a possibilidade, quando pensamos em lutas, ativismos, atuações,...

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Ana Kiffer

É Professora da Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, Cientista do Estado pela FAPERJ e Bolsista de Produtividade no CNPq. Curadora convidada da Bienal de SP 2021. É escritora, autora dos livros Tiráspola e Desaparecimentos, Editora Garupa, 2016, A punhalada, 7Letras, 2016, Todo Mar, Urutau, 2018; colunista da Revista Literária Pessoa, pesquisadora da obra do escritor francês Antonin Artaud, vem desenvolvendo há muitos anos uma investigação sobre os diversos modos de relação entre os corpos e a escrita. Autora do livro Antonin Artaud, EDUERJ, 2016, e com Gabriel Giorgi, Ódios Políticos e Politica do Ódio, RJ: Bazar do Tempo, 2019 e Las Vueltas del ódio, BA: Eterna Cadência, 2020. Organizadora do livro A Perda de Si – cartas de A. Artaud, Rocco, 2017; e das coletâneas: Sobre o Corpo, 7Letras, 2016, Expansões Contemporâneas: literatura e outras formas, com Florência Garramuno, UFMG, 2014, entre outros artigos e ensaios.  Foi curadora, em 2020, da exposição Corte/Relação dos cadernos de Antonin Artaud e de Édouard Glissant. Para a 34ª Bienal de São Paulo. Em 2021, estreou seu primeiro romance O Canto Dela, pela editora Patuá. Fotografada por Dani Neves.




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