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A repetição como estilo



2016-11-13

No apagar do século, uma exposição da miséria cultural contemporânea

Podem-se fazer muitas críticas ao romance Sexo (1999), de André Sant’Anna, mas ninguém negará que o escritor foi ousado na concepção e execução da obra, cujas personagens se resumem a surrados estereótipos da classe média e dos miseráveis. Para começar, elas se dividem entre as que fedem e as que não fedem.

A maioria dessas personagens não tem nome, sendo designada por qualificativos repetidos à exaustão, como “Negro, que fedia”, “Secretária Loura, Bronzeada pelo Sol” e “Adolescente meio Hippie”. A reiteração exasperante é o principal traço estilístico do livro e não deixa de ser um achado: evidencia quanto o estofo simbólico da sociedade brasileira contemporânea se reduz, na prática, a meia dúzia de clichês. Na definição...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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