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A pata da Gazela



2016-08-01

Paródia de Alencar faz de Cinderela um caso inverossímil de podolatria

Não é que o leitor não tenha o direito de esperar uma narrativa interessante girando em torno de um pé de sapato. A história de Cinderela tornou-se, baseada na demanda do príncipe para descobrir a dona de um sapatinho de cristal, um dos mais famosos e imortais contos da literatura ocidental. Mas, ao adaptá-la ao relato de um fetiche burguês e moderno, José de Alencar desprezou elementos de seu próprio aprendizado como ficcionista, e, assim, A pata da gazela (1870) resultou num romance dos mais chochos.

Já em Cinco minutos (1856) o enredo alencariano, estruturado de maneira semelhante, funcionava muito melhor. Somente a condescendência em desengavetar uma obra menor explica, da parte do escritor maduro, ter publicado esse livro que nada acrescenta ao patrimônio dos “romances urbanos”, reiterando o abuso de alguns dos expedientes mais batidos do repertório romântico, como o solilóquio em linguagem veemente.

As personagens principais formam um triângulo amoroso. No centro dele está Amélia, moça de 18 anos, filha...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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