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Fogo morto



2015-08-28

Duas donzelas enlouquecidas, dois compadres falastrões desafiando o poder dos senhores de engenho, duas famílias desmanteladas pelo destino: parece que José Lins do Rego usou fôrmas repetidas para compor personagens e situações dramáticas em Fogo morto (1943), tido geralmente como sua obra-prima. Mas os paralelos, longe de empobrecer o romance, parecem carregados da intenção deliberada de evidenciar contrastes. O principal desses contrastes é entre o mestre José Amaro, seleiro cheio de revolta e amargura, e o decadente senhor de engenho Lula de Holanda: apesar do abismo social entre eles, ambos fracassam em medida igual no papel de chefes de família.

Lins do Rego representou muito bem a tendência ficcional cuja diretriz foi o Congresso Regionalista do Recife, reunido em 1926. A simplicidade da linguagem e da técnica narrativa pautaram o romance nordestino da época, e, se o autor de Menino de engenho não podia ombrear-se com Graciliano Ramos, esteve pelo menos muito acima de Jorge Amado e mais ou menos no...

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