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Fogo morto



2015-08-28

Duas donzelas enlouquecidas, dois compadres falastrões desafiando o poder dos senhores de engenho, duas famílias desmanteladas pelo destino: parece que José Lins do Rego usou fôrmas repetidas para compor personagens e situações dramáticas em Fogo morto (1943), tido geralmente como sua obra-prima. Mas os paralelos, longe de empobrecer o romance, parecem carregados da intenção deliberada de evidenciar contrastes. O principal desses contrastes é entre o mestre José Amaro, seleiro cheio de revolta e amargura, e o decadente senhor de engenho Lula de Holanda: apesar do abismo social entre eles, ambos fracassam em medida igual no papel de chefes de família.

Lins do Rego representou muito bem a tendência ficcional cuja diretriz foi o Congresso Regionalista do Recife, reunido em 1926. A simplicidade da linguagem e da técnica narrativa pautaram o romance nordestino da época, e, se o autor de Menino de engenho não podia ombrear-se com Graciliano Ramos, esteve pelo menos muito acima de Jorge Amado e mais ou menos no mesmo plano que Rachel de Queiroz.  Mas em Fogo morto...
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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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