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Memórias póstumas de Brás Cubas



2012-10-05

Por que Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) é a obra mais importante da literatura brasileira? Nada é simples quando se trata de Machado de Assis. Mas podemos começar pelo mais óbvio: a ousadia da forma. O romance, com sua narrativa sincopada que Silvio Romero chamou “estilo de gago”, representa um choque para o leitor da época, acostumado à previsibilidade dos enredos românticos. E até hoje é necessário um certo preparo para lê-lo: há que aceitar as provocações que ele contém.

É o próprio narrador que faz questão de sacanear o leitor. Revela-se já no prólogo um “defunto autor” que escreveu “com a pena da galhofa e a tinta da melancolia”. A essa notícia logo se segue o relato do delírio que antecedeu a morte de Cubas. Um delírio não é para ser entendido, e aqui muitos leitores empacam. Na segunda leitura ficará mais claro que ele fala da falta de sentido da vida. Sim, falamos de um livro que não...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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