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A lua vem da Ásia



2012-11-05

A lua vem da Ásia (1963), de Campos de Carvalho, traz uma novidade para a ficção brasileira: é a primeira vez que o relato é enunciado por um louco, de dentro do hospício. O ficcionista mineiro, também autor de Vaca de nariz sutil e O púcaro búlgaro (não gosto de Chuva imóvel), parece seguir de perto a lição de Gógol no Diário de um louco.

Inicialmente pensando estar em um hotel, depois em um refúgio de guerra, o protagonista vai aos poucos percebendo os reais motivos de seu aprisionamento. Ele termina por identificá-los a um sistema de poder que imagina ser “a mesma Ordem de sempre”, associada um tanto difusamente aos interesses norte-americanos. Chega a propor que os países passem a ser chamados de “merdas” e os Estados Unidos sejam considerados “a capital de todas as merdas, como eles de fato são”.

Primor de sarcasmo, a novela não pretende fazer nenhuma sociologia do hospício, mas usar o discurso da loucura como instrumento para denunciar a farsa da razão. Recorre a um tipo...
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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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