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As parceiras



2013-02-14

Uma melancolia sem desespero percorre os sete capítulos de As parceiras (1980), de Lya Luft, correspondentes à semana em que a narradora, recolhida na propriedade familiar numa cidade praiana, busca entender o passado e o presente. O estilo da escritora não tem truques, ela apenas conta uma história. Porém, com a segurança que caracteriza os bons ficcionistas.

Anelise acaba de perder seu único filho, vitimado por paralisia cerebral. Faz parte da herança trágica de uma família, iniciada nas desventuras de uma avó casada aos 14 anos e violentada pelo marido muito mais velho. Tudo é malogro na vida das von Sassen, cujo sobrenome alemão parece uma pista para o conteúdo autobiográfico – como sempre, de porcentagem dificilmente determinável – do romance.

A narrativa se dá em dois planos. No presente, a protagonista vai desvendando seu progressivo enredamento na infelicidade familiar. O passado, que rememora ao longo dos dias, vai costurado seu “filme” particular, feito de perdas tramadas em algum plano superior pelas “parceiras” do título, entidades vagamente sobrenaturais que lembram aquelas da...
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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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