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Macunaíma



2013-02-19

A Semana de 22 foi São Paulo interrogando o Brasil como se diante do espelho da madrasta malvada. Mário de Andrade, paulistano mas não provinciano, inverteu a equação: pôs o Brasil a interrogar São Paulo, ou seja, o pensamento selvagem amolando nosso arremedo de civilização europeia.

Macunaíma (1928) é, em primeiro lugar, uma festa da linguagem. Nele o escritor despejou em poucos dias uma verdadeira enciclopédia do folclore brasileiro, coletada ao longo de anos de pesquisa. De provérbios a piadas, de cantigas infantis ao fraseado bacharelesco, o erudito Mário costurou em seu livro, fazendo tudo caber na estória de Macunaíma, um variadíssimo e bem-humorado repertório de fragmentos da cultura brasileira.

Mário chamou o livro de “rapsódia”, mas Macunaíma acabou sendo um dos principais romances brasileiros: revolucionou a linguagem, ampliando-a ao limite de reconhecer a existência do palavrão e incorporar o que Oswald chamou “a contribuição milionária de todos os erros”; revolucionou a forma narrativa, equiparando-se aos anti-romances do mesmo Oswald. Em Macunaíma as noções de identidade, tempo e espaço foram bagunçadas até...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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