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Inocência



2013-04-16

Entre os romances brasileiros publicados no período que se convencionou chamar romântico, Inocência (1872), de Visconde de Taunay, é um dos poucos realmente bons. E o que ele tem de melhor é ser parcamente romântico: nada de adjetivação farfalhante, quase nenhum exagero sentimental, idealização praticamente zero. O que atrapalha até hoje esse belo livro é o título: a tendência dos leitores, especialmente dos jovens, é imaginarem ser ele um hino a essa qualidade moral tão desmoralizada.

O autor, que serviu como engenheiro na Guerra do Paraguai, antecipou nessa obra a fidelidade realista ao retratar os costumes e o ambiente – no caso, a região do Mato Grosso vizinha da divisa com São Paulo. Sem o exagerado descritivismo de Alencar e Bernardo Guimarães, o ficcionista compõe em Inocência uma imagem bastante aproximada da paisagem e, mais ainda, do falar sertanejo, representado especialmente pelo pai da protagonista, o mais do que desconfiado e, por isso mesmo, ingênuo Pereira.

O capítulo que abre o romance situa o enredo na paisagem matogrossense. Em seguida, são apresentados...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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