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Quatro-Olhos



2013-05-03

Cerca de um terço das páginas de Quatro-Olhos (1977) relatam o transcurso de um dia num hospital psiquiátrico. Essa concentração espaço-temporal vem dar sentido à dispersão da primeira parte do romance, em que o narrador tenta se lembrar de um manuscrito perdido e acaba contando a história de seu casamento fracassado e interrompido pela repressão política decorrente do Ato Institucional 5 (1968).

Como grande parte do que se escreveu no Brasil da época, o livro de Renato Pompeu se liga intimamente ao drama histórico do país sob a ditadura militar. O título diz respeito ao apelido ganho no hospício (por usar óculos) pelo protagonista. O curto segmento referente à internação, subintitulado “Fora”, explica a antitética estrutura do romance, cujo “Dentro” vem antes e se refere à vida anterior à internação. Dentro e fora significam também seus contrários: dentro do hospício é fora da sociedade, e vice-versa.

Curiosa e engenhosamente, o relato de uma quarta-feira no interior do manicômio expõe em miniatura a sociedade brasileira da época. Nesse microcosmo encontramos a injustiça social,...
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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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