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A hora da estrela



2013-07-05

“Estou me interessando terrivelmente por fatos”: a fala do narrador de A hora da estrela (1977) expressa um contato até certo ponto tardio, pois Clarice Lispector passou a vida preferindo tratar do efeito dos fatos na consciência de suas personagens. As jornadas interiores neste livro publicado meses antes da morte da escritora são curtas, ainda que certeiras, pois a personagem principal é matéria tão pobre que o único momento verdadeiramente intenso de sua vida é a agonia, na qual enfim se sente importante.

Na hora da morte, Macabéa finalmente “nasce”, e por isso o narrador, um certo Rodrigo S.M. (“na verdade Clarice Lispector), comenta entre parênteses: “A verdade é sempre um contacto interior inexplicável. A verdade é irreconhecível. Portanto não existe? Não, para os homens não existe.” E esse comentário, por contraste, confirma o quanto tratar de “fatos” é algo estranho na obra de Clarice.

Depois de um introito relutante, em que o narrador se recusa a falar da “nordestina”, da “datilógrafa”,...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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