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Sombras de reis barbudos



2013-07-26

Representante brasileiro do realismo fantástico, José J. Veiga estreou na ficção em 1959 com Os cavalinhos de Platiplanto, coletânea de contos. Quando publicou Sombras de reis barbudos (1972), já havia aprimorado seu instrumental relativamente simples, mas de alta eficácia. O escritor goiano seguiu de perto a lição de Kafka: tudo faz sentido no relato, menos a razão pela qual os fatos ocorrem.

Não por acaso o pai do narrador sofre um processo sem pé nem cabeça e acaba condenado sem ninguém saber bem qual a razão. Mas um dos fiscais – dois, como os agentes de O processo – encarregados de fiscalizar hortas de verduras dá a dica: “Está vendo, velho? Eles todos têm culpa. É só a gente puxar um fiozinho à-toa, a culpa aparece.”

O romance é ambientado em Tiatiara e narrado por um menino chamado Lucas. Tudo começa quando seu tio Baltazar chega à cidadezinha com ares de rico e viajado e, depois de muitos planos, cria uma empresa que será referida livro afora apenas como “a Companhia”. Inicialmente,...
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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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