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Lucíola



2013-08-03

O final moralista, as metáforas vegetais e a mania de “embeber os olhos” de suas personagens a cada cena sentimenal estragam, para um leitor de hoje em dia, as inegáveis qualidades de Lucíola (1862), o primeiro dos “perfis de mulher” feitos por José de Alencar. O problema do romance é que a protagonista, sendo uma prostituta, não poderia ter um final feliz, sob pena de forte infração ao código moral do público alencariano.

Narrado por Paulo, advogado pernambucano recém-chegado à Corte na época dos fatos, Lucíola tem as irregularidades de fatura que, a par da ambição temática exagerada, impediram Alencar de ser um grande escritor. Logo em seu primeiro dia no Rio, Paulo conhecera Lúcia, a mulher mais bonita do lugar, assim como a Emília de Diva (1864) e a Aurélia de Senhora (1875). Sabendo que ela se vendia, ele acaba, depois de alguma hesitação, tomando-a por amante.

Aí começa a complicação, pois o caráter de Lúcia é contraditório, e Paulo, inexperiente além de um tanto pusilânime, não compreende as reações da...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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