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Ressurreição



2014-02-10

O romancista estreante Machado de Assis já era acometido pela mania dos prólogos e, em Ressurreição (1872), escreveu um deles quase pedindo desculpas pelo atrevimento de tentar a narrativa longa. Machado era poeta, dramaturgo e contista, mas só depois dos 30 anos criou coragem para aventurar--se no gênero em que pontificavam Macedo e Alencar. Ao contrário de Félix, seu protagonista, Machado não “perdeu o bem pelo receio de o buscar”: os versos de Shakespeare, citados no prólogo e também no desfecho, evidenciam que o romancista novel aderia ao “quem não arrisca não petisca”.

Tinha razão o escritor ao colocar ressalvas a...

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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Teoria e História Literária pela Unicamp em 2004. Publicou Questões abertas sobre ‘O alienista” (2020), Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1998), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012), Homo hereticus (2013), Deuses em desuso (2016), O teu que é mais azul (2019), O amor é um assunto imbecil (2020) e Por que não vou a Sodoma (2022). Foi resenhista de O Estado de São PauloJornal da Tarde e O Globo. Em literatura infantil, publicou Parque de impressões – Anna sofia e a poesia sem querer (2010), O casamento da bruxa com Papai Noel e Poemas em olhês e orelhês (ambos em 2019). No site da revista Pessoa, escreve resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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