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A carne



2014-02-26

Polemista feroz, Júlio Ribeiro foi difamado pelos pseudo-republicanos de São Paulo, ocasionalmente com a ajuda de intelectuais provincianos travestidos de crítica literária, como um certo padre Sena Freitas que pensava ser o soneto composto por 15 versos. A principal obra do ficcionista, o romance A carne (1888), sofre até hoje efeitos remotos daquela difamação. Longe de ser o “parto monstruoso de um cérebro doentio”, como escreveu o referido padre, o livro é bem melhor do que boa parte do que entre nós passou por Naturalismo. Há muito ele está a merecer leituras mais apuradas do que aquelas, cujo reflexo predomina ainda na historiografia literária, para as quais não passa de uma caricatura do romance experimental.

Naturalista quis ser também Júlio Ribeiro, pondo até uma dedicatória a Émile Zola, em francês, na abertura de A carne. Mas disso o romance ficou aquém, e não necessariamente para seu desdouro: para começar, foi escrito em estilo primoroso e já despido da insuportável prolixidade romântica. Júlio Ribeiro foi um gramático que combateu, entre outras pragas...
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Eloésio Paulo

Nasceu em Areado, Minas Gerais. Doutorou-se em Letras pela Unicamp em 2004. Publicou Literatura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007) e Teatro às escuras (1997), além dos livros de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (1990), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso etc. (2007), Jornal para eremitas (2012) e Homo hereticus (2013). Foi resenhista de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e O Globo. Pela editora Dubolsinho, publicou em 2010 Parque de impressões, poemas para crianças. No site da revista Pessoa, Eloésio publica resenhas de romances dos séculos XIX e XX, que integrarão seu próximo livro, o Pequeno guia do romance brasileiro.




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