Fernanda Mira Barros

Fernanda Mira Barros (Lisboa,1967) cursou língua e literatura inglesa e alemã na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e trabalhou como editora na Livros Cotovia, onde, em vinte anos, publicou mais de mil títulos. É amante de livros, animais e outros seres belos. Ex-tímida, seu lema é: Nunca se sabe.
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Não recordo o frio

2017-02-15
Crônicas de Lisboa
Mosteiro zen, Colorado, fim de 2016 Não recordo o frio, recordo a neve, que é, por definição, bem mais que fria. Fria é, ou está, ...

Coelhos na neve

2016-12-29
Crônicas de Lisboa
A quem tem agasalhos o estado do tempo importa muito menos. Entendamos a casa como agasalho. Pode também ser nudez e pode ser amena, pode ser violenta, mansa, ou fortificada ...

Não há celulite no Hotel Renaissance

2016-12-22
Crônicas de Lisboa
A caminho de casa, despedi-me da cidade ia fria a noite. O frio não desagradava. Um cartucho de castanhas mal assadas queimando as mãos apressou o meu trote pela ...

King size

2016-12-01
Crônicas de Lisboa
Uma friagem no ombro destapado e acordo. Sei que choveu toda a noite, que cheguei tarde ao quarto e cansada de dançaricar; que vim sem frio embora esteja frio, que trazia a ...

Não sei como se faz

2016-11-24
Crônicas de Lisboa
Agora, que vou completar cinquenta anos, decidi amar-me.Ainda não estou certa de ter decidido amar-me já. Certo é ter estado essa decisão distante quando calcei estes sapato ...

A nódoa

2016-11-15
Crônicas de Lisboa
Tinha-me maquilhado para aparentar as boas cores que só as sovas do mar de Setembro me restituem, tinha vestido um vestido comprido, em mim usual, só que era o mais b ...

Morre-se sempre

2016-11-02
Crônicas de Lisboa
“Finou-se, coitadinho.” Longínquos tempos em que este verbo, digno como qualquer, se ouvia ou lia. Porém, que fealdade existe nele maior que a que enforma um hediondo “falec ...

Os loucos

2016-10-25
Crônicas de Lisboa
Se no centro da cidade ainda há asilos para doidos, então no centro da cidade há doidos residentes em asilos. E esses doidos, sendo inofensivos, saem do entremuros vigiado. ...

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2016-10-20
Crônicas de Lisboa
“Mãe, esta senhora tem olhos azuis. Azuis, mãe! Olhe, mãe, azuuuuis!” -- e apontava, indicador espetadíssimo acusando-me, o miúdo frente a mim no autocarro. A mão livre puxa ...

Aquele mar do fim das férias

2016-10-13
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Lisboa não é bem uma cidade fluvial ainda que seja banhada por um rio. O Tejo entra no mar aqui sem que saibamos claramente  onde começa um, acaba o outro. Não que iss ...

Ante-crônica

2016-10-05
Crônicas de Lisboa
Da minha janela vejo a Praça, pequena praça sem saída, e o edificado urbano alongando-se no horizonte até à outra margem do Tejo. Depois, o céu. Copas de árvores entretanto, ...
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