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Rio-Paris-Rio

2017-03-20


Ouça Luciana Hidalgo lendo o primeiro capítulo de seu livro Rio-Paris-Rio.  

 

 

A leitura foi um prova empírica, sem que a escritora soubesse, da tese de Flaubert.

"Leio sobre Flaubert e sua preocupação com o ritmo das frases num romance. Para ele, um livro deve ser julgado pela leitura em voz alta. Se não tiver ritmo, se não se harmonizar com a respiração humana, de nada vale. Tem que ser “como um duo de flauta e violino”.  Não só li em voz alta meu “Rio-Paris-Rio” várias vezes antes de enviá-lo à editora, como o gravei inteiro, capítulo a capítulo, para depois ouvir e fazer os últimos reparos. Isso não leva necessariamente a uma coloquialidade, é uma questão de musicalidade. A escrita pode ser simples ou complexa, leve ou densa, sendo, acima de tudo, sonora. Aos que escrevem, recomendo (com entusiasmo) a prática", conta Luciana em seu perfil em uma rede social.

Autora premiada com dois Jabuti conta nesse novo romance a história de Maria e Arthur, dois jovens que se conhecem em Paris às vésperas das manifestações estudantis de Maio de 68, fugidos da ditadura no Brasil. Ela estuda filosofia na Sorbonne, ele é artista de rua. Juntos caminham ao lado dos estudantes no Quartier Latin e flanam pela Paris oficial, turística, mas também pela Paris dos boêmios e clochards debaixo das famosas pontes. Vivem os revolucionários anos 1960 em busca de uma liberdade que falta no Brasil, divididos entre a beleza e a dificuldade do exílio que escolheram.

Luciana Hidalgo é autora de Arthur Bispo do Rosario – O senhor do labirinto (Rocco, 1996/2011) e Literatura da urgência – Lima Barreto no domínio da loucura (Annablume, 2008), ambos premiados com o Jabuti, e de O passeador (Rocco, 2011), romance finalista dos prêmios São Paulo de Literatura, Portugal Telecom e Jabuti. É também doutora em Literatura Comparada (Uerj), com pós-doutorado na Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris 3), na França, onde morou durante vários anos.

 

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Revista Pessoa
 



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