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Não recordo o frio

2017-02-15


Parte I:

Mosteiro zen, Colorado, fim de 2016

Não recordo o frio, recordo a neve, que é, por definição, bem mais que fria. Fria é, ou está, uma alma desgraçada. A neve? A neve é gelada. Como certos olhares gélidos, ela queima. E brilha contra um céu de tal intensidade de azul que só nos ares rarefeitos das mais esplendorosas cordilheiras se alcança. Tão azul que suscita frases pedestres como esta, a anterior, as seguintes.

Um azul tão seguro de si que nos convence da possibilidade real de tocá-lo, como à tinta duma tela favorita exposta a um braço de distância de nós, só que mais vivo, menos moderno. Agarrá-lo, celestial turquesa nas mãos dos índios do Novo México, e trincá-lo, qual moeda de ouro de outro tempo, e dos filmes filmados por aqui nesse outro tempo, trincada para provar a sua verdade. Reconhecemo-lo sem nunca o termos visto num esplendor assim, tal rei passeando pela primeira vez junto do povo que para ele se verga. Até a inconsequente sabedoria da minha...

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Fernanda Mira Barros
Fernanda Mira Barros (Lisboa,1967) cursou língua e literatura inglesa e alemã na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e trabalhou como editora na Livros Cotovia, onde, em vinte anos, publicou mais de mil títulos. É amante de livros, animais e outros seres belos. Ex-tímida, seu lema é: Nunca se sabe.



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